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Disruptores Endócrinos

O que são, como agem no nosso organismo e como evitar os contaminantes que impactam na nossa saúde reprodutiva e global.


 

Você já ouviu falar e sabe o que são os disruptores endócrinos (DEs)?


Eles são contaminantes de diversas classes que nosso corpo absorve diariamente. A exposição aos DEs ocorre basicamente em todos os lugares: alimentos (alô agrotóxicos), plásticos (que estão em todos os lugares, rincipalmente nas embalagens de quase tudo que a gente usa na vida), no ar, em materiais industriais, produtos de higiene pessoal e beleza, de limpeza, eletrônicos e na água que bebemos.


Formalmente, os Disruptores Endócrinos (DEs) são definidos pela Endocrine Society como:

"substância química exógena [não-natural], ou mistura de substâncias químicas, que interferem com qualquer aspecto da ação hormonal."

Qual o problema deles?

Estima-se que globalmente, mais de 24% das doenças e distúrbios humanos são atribuíveis à fatores ambientais e que o meio ambiente desempenha um papel em 80% das doenças mais mortais, como câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares. Uma vez que as perturbações do sistema endócrino são fundamentais para a maior prevalência destas doenças, os DEs podem ser os principais responsáveis. A incidência de distúrbios pediátricos endócrinos, incluindo os problemas reprodutivos masculinos (criptorquidia, hipospadia, câncer testicular), puberdade feminina precoce, leucemia, câncer cerebral e distúrbios neurocomportamentais, aumentou rapidamente nos últimos 20 anos. Mundo afora temos visto aumentar a prevalência de deficiências de desenvolvimento em crianças, ao aumento das taxas de doenças neurológicas, doenças respiratórias e à mortalidade infantil, bem como à obesidade, diabetes do Tipo 2, e doenças cardiovasculares na idade adulta (que inclusive impacta na taxa de partos prematuros).


E o impacto na saúde reprodutiva?

O exemplo mais comum da sua ação é a desregulação endócrina dos hormônios estrogênicos, que agem sobre os receptores do estrogênio do corpo (ERs). Os estrogênios costumam ser mais conhecidos pelo seu papel na reprodução feminina, mas eles são igualmente importantes na reprodução masculina, além de atuarem também em funções neurobiológicas, desenvolvimento e manutenção óssea, funções cardiovasculares, cerebrais e em muitas outras funções. Os estrogênios naturais exercem essas ações após serem liberados pela ovário ou testículo, ligando-se aos ERs nos chamados tecidos-alvo.


O BPA

Os principais estudos que relacionam os DEs com questões relacionadas à fertilidade mencionam o Bisfenol A (BPA), um químico utilizado na fabricação da maioria dos plásticos. Esses estudos sugerem que, ao entrar em contato com o organismo humano, principalmente durante a vida intrauterina, o BPA pode afetar o sistema endócrino, alterando a ação de hormônios naturalmente produzidos pelo corpo humano, trazendo danos à saúde, como infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e câncer.


Podemos evitar o contato com o BPA com algumas mudanças de hábitos que vão impactar não só na nossa saúde mas na das gerações futuras gerações também. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tem algumas orientações de como evitar o BPA na sua rotina:


"1 – Use utensílios de vidro ou BPA free para os bebês.

2 – Jamais esquente no microondas bebidas e alimentos acondicionados no plástico. O bisfenol A é liberado em maiores quantidades quando o plástico é aquecido.

3 – Evite levar ao freezer alimentos e bebidas acondicionadas no plástico. A liberação do composto também é mais intenso quando há um resfriamento do plástico.

4 – Evite o consumo de alimentos e bebidas enlatadas, pois o bisfenol é utilizado como resina epóxi no revestimento interno das latas.

5 – Evite pratos, copos e outros utensílios de plástico. Opte pelo vidro, porcelana e aço inoxidável na hora de armazenar bebidas e alimentos.

6 – Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite lavá-los com detergentes fortes ou colocá-los na máquina de lavar louças.

7 – Caso utilize embalagens plásticas para acondicionar alimentos ou bebidas, evite aquelas que tenham os símbolos de reciclagem com os números 3 e 7 no seu interior e na parte posterior das embalagem. Eles indicam que a embalagem contem ou pode conter o BPA na sua composição.”.


Além dos plásticos, temos contato frequente com os quantidades significativas de DEs por meio dos alimentos com agrotóxicos e os produtos de higiene pessoal e cosméticos (que contém principalmente os DEs da classe do ftalatos) e limpeza.

As principais dicas que eu dou em relação a esses cuidados envolvem dar preferência ao consumo de alimentos orgânicos e à utilização de produtos naturais para higiene pessoal, cosméticos e limpeza. Esteja consciente em relação aos componentes que você está colocando para dentro do seu corpo, não só pela ingestão, mas também pelo contato com a pele, já que essa é uma importante porta de entrada desses químicos para o nosso corpo.


Os ftalatos

Nesse contexto da absorção por contato com a pele, são os ftalatos que merecem mais a nossa atenção. E eles não estão menos presentes na nossa vida do que os plásticos e o BPA não, viu?! Eles estão nos xampus, loções, outros produtos de higiene pessoal, esmaltes para unhas, cosméticos, produtos para bebês (incluindo loção, xampu, talcos e mordedores), brinquedos, produtos perfumados como velas, detergentes e desodorizadores, materiais de arte, incluindo tinta, argila, cera e corantes... A lista não tem fim.


Os ftalatos atuam interferindo na produção de testosterona. Esse hormônio desempenha papéis importantes no organismo tanto de homens quanto de mulheres, mas por ser ainda mais crítico para o desenvolvimento masculino, incluindo o desenvolvimento genital, acredita-se que os meninos sejam mais vulneráveis à exposição aos ftalatos.


A exposição à esse DE está associado principalmente a anormalidades genitais em meninos, quantidade reduzida de espermatozoides, endometriose e patologias metabólicas, incluindo a obesidade.



Como evitar?

Ciente disso tudo, não parece sensato estar mais atenta a que tipo de produtos usamos, consumimos, ingerimos?

Mulheres grávidas devem ficar ainda mais vigilantes, uma vez que os DEs podem sim ser transmitidos para o feto pela placenta e os impactos da exposição dos DEs a um feto em desenvolvimento são ainda maiores.


A melhor forma de se prevenir da contaminação pelos disruptores endócrinos é aprender a ler os rótulos, indentificar os principais DE e evitar o uso desses produtos.

O documento "Introdução aos disruptores endócrinos (DEs): um guia para governos e organizações de interesse público", uma iniciativa conjunta da Endocryne Society - IPEN, para a conscientização global sobre os DEs foi a principal fonte utilizada para a construção desse post. Desse documento trago a tabela a seguir, que mostra alguns dos principais e mais frequentemente utilizados DEs.


Fonte: "Introdução aos disruptores endócrinos (DEs): um guia para governos e organizações de interesse público".


Desde que descobri o impacto desses químicos na nossa saúde fico atenta e mudei vários hábitos para reduzir ao máximo o contato com eles, mesmo sabendo que eles estão por todos os lugares e é completamente impossível se blindar completamente desses materiais.

Me conta aqui nos comentários se você já conhecia a ação dos DEs. Se você está aprendendo sobre eles agora, pretende mudar alguns habitos para evitar o contato com esses compostos?



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